2084: Mundos Cyberpunks

 

Minha primeira aventura como escritor se esconde entre desenhos e documentos em pastas, guardadas à sete chaves no fundo de uma gaveta. Esse texto, original, feito à mão com o lápis 2B, é uma fanfic de um Dragon Ball distópico, após a morte dos guerreiros Z e a destruição das Esferas do Dragão.

Depois de uma caminhada ainda bem curta, mas cheia de pedrinhas, publico oficialmente um texto pelo mercado editorial, o conto “Pôr do sol em Ankar”.

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Detalhe da página inicial do conto “Pôr do sol em Ankar”

 

No inicio do ano, a Lendari, editora nascida e criada em Manaus pelo jornalista Mário Bentes, lançou um edital para a antologia “2084: Mundos Cyberpunks” que reuniria contos do aclamado subgênero pelo qual me interesso bastante. Me animei com o tema e resolvi escrever.

 

Escrevi por dois dias seguidos no fim da minha jornada dupla de trabalho e faculdade, com a ajuda da ambientação produzida por playlists de jogos e filmes que tinham o cyberpunk como linha temática, a empolgação até me fez extrapolar a quantidade máxima de caracteres, o que me forçou a cortar um trecho do que havia imaginado. Escrevi, anexei no e-mail e foi. Só depois me lembrei que devia ter revisado…

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Capa da antologia

Fui selecionado e, agora, publicado.

A antologia está disponível na Amazon e outras lojas online em formato e-book e em breve em versão impressa também. Aproveite aí pra comprar no link a seguir:

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Estou pensando em organizar um lançamento com outra autora manauara que participa do livro e em breve divulgarei.

Arte e Política: o papel da arte nos tempos atuais | Conexão MAG – Mapingua Nerd

O texto colaborativo, organizado pela Andressa Barroso, pode ser lido integralmente no Mapingua Nerd.

Rubem Alves tem uma frase genial que é mais ou menos assim: O cientista virou um mito. E todo o mito é perigoso, porque ele induz o comportamento e inibe o pensamento”. Ele se refere, claro, ao perigo de acreditar cegamente na ciência, apenas por ser ciência, cujo próprio preceito é duvidar e comprovar por meio de fatos testados. Mas essa frase cai perfeitamente em nosso momento de convulsão sociopolítica. O mito se estabeleceu, nominalmente e pragmaticamente, e varreu, com força descomunal o pensamento.

Vivemos uma polarização absurda que tem raízes no desespero, insatisfação e no ódio, combinação essa que levou-nos a erros tremendos como humanidade no passado. No início dos anos 20 a Alemanha sofria as consequências da 1ª Guerra Mundial e se afundava cada vez mais em uma crise moral e econômica. No meio desse cenário surgiu o Partido Nazista e seu líder Adolf Hitler, que com mãos de ferro e um discurso forte e autoritário, estabeleceu os princípios fundamentais do nazismo: anticomunismo, antiliberalismo, ultranacionalismo, militarismo, racismo e, principalmente, o ódio aos judeus (antissemitismo). Os alemães se entregaram a esse ódio e nós caminhamos na mesma direção. Não aposto numa nova ditadura no Brasil, mas também não descarto. A luta por direitos e liberdade nunca termina, ela é constante.

TIRINHA - I

Sou cartunista e durante essas eleições me peguei pensando sobre o motivo de ter escolhido essa forma de me expressar. A origem do cartunista político tem relação com as expressões satíricas de artistas (ou simples cidadãos) com seus regimes ou governantes. Com o passar do tempo a ocupação se popularizou e transformou o cartunista numa espécie de cronista social, que tomou pra si a posição de vigilante do poder. O cartunista nunca apoia o poder, ele aponta seus erros e vigia seus atos.

Me vesti com essa armadura e agora não consigo mais abandoná-la. Nem se quisesse acho que conseguiria. Além da essência combatente do cartunista sou antes, artista, e por isso a responsabilidade é dobrada. Os artistas levantam a bandeira da liberdade, são os primeiros que o fazem, somos a vanguarda da resistência, a primeira e última linha de defesa. Por esse motivo, talvez, sejamos os primeiros caçados pelo fascismo ou pelo autoritarismo em geral, que busca calar toda voz que incomoda, que desafia. Como movimento ideológico, o fascismo se constitui de um regime extremamente autoritário com concentração do poder num líder, de nacionalismo exacerbado e cujas críticas eram recebidas com o uso de violência e terror.

Apesar de improvável, uma nova onda fascista nunca deve ser subestimada. O que estamos vivendo é a propagação de um discurso autoritário que apresenta ecos do fascismo, e que se coloca como uma verdadeira ameaça à democracia. O curioso é a contradição presente aqui, já que 69% da população prefere a democracia como regime de governo, segundo pesquisa recente do Datafolha, num índice de aprovação histórico.

Não sabemos o que virá, mas serão tempos sombrios. A polarização se estabeleceu, a pseudo-politização se espalhou após os protestos de 2013, a violência disparou, a corrupção se mostrou generalizada e alguns oportunistas apenas subiram na prancha e começaram a surfar a onda.

A partir de agora é resistência. É luta, com arte, com cultura, educação e com debate.